quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Sinopse da Arranco para 2014

Aqua Vitae, Ignis Dei! Água da vida, fogo de Deus....São Lourenço nosso guia! (Arranco - 2014)



. Aos vossos pés uma graça a rogar.

Iluminai as águas abençoadas da venturosa cidade de São Lourenço, a capital do novo milênio, para a nossa extraordinária excursão começar.

Cidade sagrada, constituinte da Constelação de Órion, consciência redentora do universo... Terra Iluminada! Do clarão no céu, surge lágrima em forma de estrela, uma centelha. Faísca incandescente de fé na escura noite. Em devoção, invocamos ao Santo uma prece na abrasadora grelha.

Irmanados com sua coroa feita de louro, evocamos as forças espirituais do planeta para juntos, trazermos dessa terra mineira, de divinas vibrações, harmonizada pela Ciência da Vida, a Eubiose para o grande palco da folia. Afinal... Nada acontece por acaso!

São Lourenço é quem nos guia...

Pela história conhecemos a ocupação do lugar. Tropeiros abriram caminhos pela Serra da Mantiqueira para alcançar as cálidas águas do Rio Verde e montar suas bases. Pelas passagens desobstruídas da mata travaram combate com os donos da terra, os aborígenes Cataguases.

Vencida a luta contra os índios nativos, um acampamento foi montado, dando pouso ao comandante Lourenço Tazques e a seus comandados. Deste duelo sangrento com os aguerridos gentios se foram vestígios, apagaram-se da memória. De pouso a povoado, de povoado perdido no mapa a reconhecida cidade. A evolução de um lugar encravado no meio das montanhas de Minas Gerais, hoje repleto de felicidade.

Águas minerais que brotam e jorram do solo são-lourenciano curam os malefícios físicos. Mais tarde descobertas, foram logo comercializadas pela cobiça. Exploração lucrativa iniciada em época remota que a muitos atiça. Cresceu tanto que virou estância de pessoas ilustres, paragem de bem-estar e cura proporcionados pelas propriedades da água milagrosa que o corpo e a alma nutrem.

Na legendária estação ferroviária, embarcamos na velha Maria Fumaça que corta a famosa cidade cuspindo o vapor do passado no progresso trazido pelos trilhos. Da locomotiva, avistamos o Jardim Japonês e a Fonte do Oriente. Seguindo em frente, o trem da alegria nos leva ao monumental Parque das Águas, que acolhe em suas nascentes cristalinas vindos de todos os cantos do mundo os filhos. O trem das águas percorre os mais belos recantos, pontuando fazendas centenárias, o grande lago central e os templos santos.

Finda a viagem encantada, terminamos também nossa oração. Pedimos a São Lourenço a graça de sermos sempre resolutos e corajosos para enfrentar os combates da vida, em nome da fé e da verdade. Concedei-nos, pela intercessão de vosso servo São Lourenço, a graça de nossa arranquense vitória com a homenagem a esta formosa cidade.

Amém.


Alex de Oliveira e Julio Cesar Farias

Sinopse da Sossego para 2014

Pernambucando (Acadêmicos do Sossego - 2014)




JUSTIFICATIVA

O G.R.E.S. Acadêmicos do Sossego apresenta, para o Carnaval 2014, o enredo “Pernambucando”, que objetiva homenagear o folclore de Pernambuco, fruto do marcante passado histórico do Estado, aliado à criatividade de seu povo, resultando em uma cultura popular extremamente rica e diversificada.
O comprometimento da Agremiação em desenvolver enredos culturais e considerando a cultura como o conhecimento e entendimento dos fatos e manifestações de um povo, sejam políticas, artísticas, sociais,… justifica o presente enredo, uma vez que o folclore é o conjunto de tradições, crenças e costumes de uma região, que vão sendo passadas de geração para geração.
“Pernambucando”, vamos “folclorear”; misturar sacro e profano, e brincar, dançar, cantar…

SINOPSE

Senhoras e Senhores,
A festa vai começar!
No teatro de fantoches, meu folclore vou mostrar.
Sou o Pernambuco; vamos mamulengar?
Mestre Vitalino, a cerâmica conquistou,
E na Feira de Caruaru, meus costumes no barro moldou.
Os costumes vem do meu povo, que se miscigenou
E minha rica cultura aflorou:
Do colonizador, veio o gosto pelas danças da corte,
Seu bailado agradou;
Do negro escravo, sua ginga e requebros,
Religião e rituais, seu ritmo cadenciou;
Do indígena, o dono da terra, o misticismo legou,
Graça e leveza dos movimentos,
É a dança, seu reflexo do dia a dia…
Minha culinária, meus gostos e temperos,
De combinações únicas de sabores, cores e aromas, resultou.
E assim eu vou… me expressando em cordel, 
Cantando e dançando meu Xaxado, o Coco, o São Gonçalo,…
Ao som de zabumbas, pandeiros e ganzás!
Nos ciclos festivos, minhas manifestações populares a reinar:
Na Quaresma, malho o Judas, brinco na Serração do Velho,
Derrubo o gado na Vaquejada,
Ou busco na Idade Média a Cavalhada.
Lembrança dos Doze Pares de França!…
Entro no ciclo junino Acordando o Povo,
Descarregando a pólvora seca do meu Bacamarte,
Para dançar a Quadrilha e festejar o Boi Bumbá,
E aos santos padroeiros homenagear:
Santo Antônio, São Pedro e São João!
No ciclo natalino, louvo ao Deus Menino,
É o Pastoril a encantar,
Sou Fandango, sou Reisado,
Sou a purificação!
E no Carnaval, apresento exclusividades:
É meu o Maracatu, de “Dona Santa” ao “Elefante”!
Meu filho é o Frevo, e o guarda-chuva seu símbolo de realeza.
Em Recife, caio no “Galo da Madrugada”,
E em Olinda, encanto com meus bonecos gigantes:
É o Homem da Meia Noite,… ou a Mulher do Dia?
Também sou lenda e crendice,
Meus mitos norteiam o inconsciente coletivo do meu povo!
Posso ser a “bruxa” ou a “Cumade Fulozinha”,
“Cabra Cabriola” ou “Alamoa”!
Assusto como o “Papa-Figo” ou o “Gritador”,
Mas troço com o “Boi Voador”- o primeiro pedágio do Brasil?
Sou o Pernambuco, e assim é meu povo, minha gente!
Hoje sou Sossego!
E a Academia vem me prestigiar!
Com orgulho, agradeço.
Vamos festejar!!!!!

Ass.: Estado de Pernambuco
Apresento: Minha cultura, meu folclore, meu povo
Representante: G.R.E.S. Acadêmicos do Sossego

GUILHERME ALEXANDRE
Carnavalesco

Sinopse da Unidos do Jacarezinho para o carnaval de 2014

Africanidades - Os Caminhos da Arte de Tez Negra (Jacarezinho - 2014)



"Partindo da consciência de ser negro, o que implica em assumir seu destino, sua história, sua cultura,

a negritude é um mero reconhecimento desse fato...
Existe, não obstante, uma solidariedade maior entre os homens de raça negra;
não em função de sua cor, mas sim por uma comunhão de cultura, história e temperamento".

(AiméCesaire)

AFRICANIDADES
(Os caminhos da arte de tez negra)

Sagrado é seu chão, senhora da ancestralidade.
Detentora mítica da gênese humana e da arte brotada em sua terra.
A luz dourada do seu sol, contorna a silhueta da sua tez negra.
Na noite reluz o brilho natural e sedutor dessa pele, onde refletem as estrelas.
Do seu passado, emergiu a força das tribos de guerreiros majestosos.
Na madeira, fibra, osso, pedra e metal, reflete esculpida sua visceral e rica cultura.
Encantadas são suas máscaras de forças misteriosas e poderosas, que cultuam seus ritos litúrgicos.

Na profusão cromática das suas estampas gráficas, contrasta a natural beleza de ébano, enrolada em torsos e túnicas de formas magníficas.
A você foi concedida a divina inspiração de cantos e danças soberanos.
Lançados ao mar abissal, seus negros filhos em tumbeiros, além da saudade, levaram seu legado e o tatuaram pelo mundo.

Diva de manto negro na ribalta, sua pele é estrela única no firmamento de espaços artísticos sagrados.

Na pele da escrava Aída, no desencanto de Sélica lançando-se ao mar, ou no desespero de Otelo, o amor sempre lhe isentou da razão.
Em películas, nas telas foi o anti-herói Macunaíma, a louca Satã, a atrevida Chica e o malandro Orfeu.

Celeiro de arte que viria embalar o universo, fez ecoar pelo Brasil, sons e ritmos de todos os cantos de seu continente.
Nossos olhos fascinados, vibram com a herança vinda de sua gente!
Asè Bahia de todos os Santos, que dos batuques primitivos, produz a música que balança seu povo, entrelaça suas pernas na capoeira, e ginga belos copos pintados na Timbalada.

Asè ao maracatu dos Reis Congos coroados e consagrados pela Senhora do Rosário.
Asè à Pequena África, que lhe acolheu, quando libertos.
Libertos, subiram os morros, criando identidade cultural.

Hoje, comunidade de genuínos ritmos: do mítico samba, do pagode, do charm e do funk.

Mística é a alteza de sua arte, sortilégio que nos seduz.
Sua natural boemia, nas casas das Tias ou em bares com Malandros as escondidas, foi corajosa ao levar seu canto em cortejo para as ruas.
Nobre pele que brilha sua magnitude na grande ópera popular, em mágicas noites de cantos fortes, ladeados de êxtases de pura alegria.
Uma constelação de estrelas negras cintila no infinito e cria um céu jamais visto.

Ele é lindo,
Ele é belo,
Ele é negro.

Gebran Smera

Sinopse da Unidos de Bangu para 2014

Eternamente Bangu (Unidos de Bangu - 2014)



O Sol brilha intenso. O raiar das luzes anunciam um novo tempo. Das terras desbravadas, o simples homem do campo sonha com dias melhores. O plantio é farto e a colheita é plena. As raízes do solo ganham vida e solidez nessa terra regada a lágrimas e suor. Grandes festas se constroem. Camponeses a agradecer o farto sinal divino de dias melhores. A Fazenda Bangu está instalada.
É consagrada pelo plantio, pelo cultivo e uma forte onda acelerada. Do Barão de Itacuruçá, ao novo proprietário, uma sociedade ali formada. O açúcar, o arroz, a farinha são produtos raros nessa região, onde, de grão em grão, ideias surgem como um novo embrião. É a desapropriação e uma fazenda em extinção.

O lúdico vira real, um sonho se torna a construção de um grande galpão. A antiga fazenda agora é lucro para a região. A Companhia Progresso Industrial é criada e com ela um projeto arrojado: fazer de um único espaço, um ponto inicial a um bairro administrado.

Os imigrantes vão chegando e são bem-vindos: italianos, brasileiros e ingleses no mais arrojado projeto já encomendado. Os produtores se animam. Renova-se a esperança de um povo. A festa convida a sociedade, prestigiando uma nova comunidade, de emprego, moradia e igualdade. A Fábrica Bangu está instalada, a estrada de ferro dá o sustento, de locomoção e movimento.
Os grandes responsáveis, os operários após uma viagem, começaram a cantarolar. O som e o canto a entoar uma nota sublime que um dia iria vigorar. Em tons de poesia, cantam-se o Cassino Bangu, um novo espaço de ritmos, som e cor.

Como toda organização, o progresso vem surgindo. Do bloco carnavalesco Flor da Lira, Prazeres dos Morenos e outros mais que desfilariam de forma feliz e capaz.

A paróquia foi outra grande conquista onde a burguesia estaria presente, prestigiando os seus descendentes. É o bairro em euforia, contente com o progresso conquistado e o trabalho bem realizado. Nas telonas o mundo se resume, os filmes estreiam em cartazes luminosos de poesia e cultura.

E quem diria que nesse bairro surgiria um clube, uma paixão que o coração mantinha. Era o campeão carioca em tudo o que disputava: o Bangu Atlético Clube de corpo e alma lavada.

 Torcedores em festa, na avenida e na arquibancada. Surge um grito de gol, um sorriso e o eterno amor dos seus camaradas.

Criado e bem pensado, um desfile descobriria talentos e rostos que, um dia, ganhariam o mundo e tudo o que quisessem. É o concurso mais famoso, mais disputado e mais adorado.

Lá, certamente, dançava-se nas discotecas desse agora organizado bairro. Movimentos e compassos no ritmo da dança, nos bailes da madrugada, onde até mesmo a arte se mantinha, posteriormente, filmando o incrível filme “Meu pé de laranja lima”.

O tempo se aproxima, os projetos ganham efeito de fato e direito. A Estátua da Liberdade, em Vila Kennedy, foi instalada como o símbolo de um novo momento econômico e arquitetônico.

O AP de Bangu se reconhecia. Prédios em pé, diversas moradias. Sonhos realizados e um trabalhador motivado.

Vem guardando noite e dia, a segurança ali se mantinha. Surge, naquele momento, um presídio sem movimento, cultivando dor e arrependimento.

A cultura ganha vida, a Lona Cultural Hermeto Pascoal. Capoeira, desenho e violão embalam uma nova canção.

Consagrados pela beleza, voltamos ao centro de toda nobreza. Calçadão reformado, o cartão postal de um bairro tão amado.

Ah, minha Bangu! De uma fábrica desativada, a um comércio em plena expansão. O Shopping remonta uma história de suor, sacrifício e paixão. Faremos nossas compras sabendo que ali foi o início dessa fundação.

Mas como todo sambista, seremos o grande artista. O samba é o sangue em nossas veias a passar. Não importa o tempo de uma casa de bamba; retorna nesse tamborim, uma incrível escola de samba. Unidos de Bangu, faz seu brilho reluzir em sua comunidade, acelerando o progresso de uma nova sociedade.

É a escola de samba, voltando no pensamento de quem um dia criou e esperou viver esse momento.
“Eternamente Bangu”

Texto: Ney Junior
Composição e revisão: Barbara Santos

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Sinopse da Cubango para o carnaval de 2014

Continente Negro - uma Epopeia Africana (Cubango - 2014)



Nosso samba hoje ecoa na Avenida em retumbantes tambores africanos para revelar aos quatro ventos a cultura de nossos ancestrais, afinal cientistas já provaram que o primeiro homem surgiu na África.

Nas florestas e nas extensas savanas dessas terras, vamos fazer um safári de alegria, com animais selvagens dançando num contagiante ritmo sincopado em homenagem a todos os povos do berço da humanidade.

Um lugar de natureza exuberante e de contrastes sociais marcantes, onde o brilho dos diamantes que brotam do chão e a riqueza do ouro negro que jorra em abundância ainda são ofuscados pela fome que assola diversas regiões do continente.

Ainda que possua países bastante desenvolvidos, com economias em crescimento, como a África do Sul que até já sediou uma Copa do Mundo, a miséria de povos de outras regiões ainda são reais e bastante propagadas como um dos retratos negativos do continente.

São terras de clima ardente, cortadas pelos trópicos de Câncer e de Capricórnio, ainda habitadas por impressionantes clãs e tribos milenares, governadas por cortes reais tradicionais e dinastias estruturadas. Apesar da existência dessas sociedades primitivas, o continente continua passando por um processo de urbanização, tendo aumentado, nos últimos anos, o número de países com governos democráticos, que atraem cada vez mais a população rural para as cidades em desenvolvimento econômico.

Embora hoje outras religiões sobressaiam em alguns países do continente, a África ainda é a morada dos orixás, da mandinga e do candomblé, em que a magia do sagrado revela a alma mística, a força espiritual para suportar tantos reveses da vida.

Pelo mundo se espalhou a cultura forte de uma raça, que conseguiu preservar suas raízes até em terras distantes, nos cultos religiosos dos terreiros, na malemolência de suas animadas danças e na saborosa culinária extravagante.

Gente sofrida, que já foi cativa e explorada em tempos remotos servindo às vontades dos brancos europeus e que muito contribuiu na formação das atuais sociedades da América. Portugueses, ingleses e holandeses colonizaram as terras africanas, implantando aspectos de suas culturas, de suas línguas, que se misturaram às fortes tradições locais, formando a identidade desses povos.

Ainda que extinta a escravidão histórica dos negros e tenha sido expurgada a dor das senzalas, recentemente Nelson Mandela teve de lutar contra a vergonhosa segregação racial que teimava em persistir na África do Sul. Este grande líder tornou-se o símbolo mundial da liberdade e do combate ao preconceito da cor.

Hoje a diversidade de países africanos tão contrastantes dão as mãos e ganham adesões importantes mundo afora para limpar suas principais feridas históricas, combatendo a secular exploração humana e de seus recursos naturais e a implacável fome que ainda mata centenas de inocentes em várias regiões. As áreas mais desenvolvidas investem no ecoturismo e no esporte, produzindo renda e campeões.

A cultura africana está marcada no Carnaval brasileiro, nascido do batuque dos negros escravos como forma de resistência à subjugação dos brancos e também de preservação às suas raízes. Por isso, os enredos afros - que já foram tema de belíssimos desfiles na nossa e em outras escolas - sempre emocionam, pois possuem uma força impressionante, uma vez que resgatam a identidade e o axé de uma raça, reconhecendo seu devido valor.

É esse também o objetivo de nossa agremiação. Que rufem os tambores d’África na Avenida, pois a Acadêmicos do Cubango chegou para fincar suas raízes na Sapucaí!!! SARAVÁ!!!

Marcio Puluker
Carnavalesco

Sinopse da Unidos de Padre Miguel para 2014

Decifra-me ou te Devoro: Enigmas - Chaves da Vida! (Unidos de Padre Miguel - 2014)
 


A curiosidade é madrinha da evolução. Um enigma pode custar a vida.  Pode também fazer ganhar a vida. Nao se acomode. Investigue, inquiete-se, escave, suponha, pense. Os enigmas são intrigantes motivos que desafiam e fazem caminhar a humanidade.

Mistério maior é o homem. A cada solução nos encontramos um pouco mais. Aventure-se. Busque. Devora os enigmas para que decifrem que és. Cofre aberto, tesouro resgatado, tumba encontrada. Buscando respostas encontramos a humanidade.Enigmas  são chaves. Quando desvendados, abrem portas para novas possibilidades. Quando encobertos, desafiam e nos fazem caminhar.

Envolva-se. Uma solução traz recompensa. A redoma aberta faz o conhecimento triunfar. Devorar enigmas, dedicar-se a descobrir: triunfar por compreender...

Vista sua fantasia, lance seus palpites. Proponha e reproponha. A noite é do mistério do quebra-cabeças da humanidade. Encaixe uma peca, encontre outra. Divirta-se com questões que desafiam. Veja-as diante de seus olhos. Elas são motivo para a brincadeira da vida. Inverta o jogo. Descubra enquanto der, solucione o que puder e acabará por se decifrar. Compreendendo mistérios encontramos as chaves que nos permitem compreender a nós mesmos e a humanidade.

Primeiro mistério ou mensagens cifradasde civilizações passadas.

Ouça o silencio  elouquente de paredes e monumentos. Ele esclarece duvidas que nem sabemos quais. Que mensagens nos trazem? Com que advertências nos aconselham? Pirâmides, esfinges, Moais, Cabeças de Lá Venta, Stonehenge, Pedra do Ingá. Bilhetes cifrados dependurados na historia contando a saga de duzentos mil anos da humanidade. Hieróglifos indianos, o que dizem? A Alexandria submersa, o que guarda? As linhas de Nazca, o Calendário Maia, para onde apontam? Maravilhe-se com o Egito, guardião de incontáveis segredos. "Converse" com múmias, obtenha do tempo o que ele contar. A cada resposta de que o passado e o melhor revelador dl futuro.

Segundo mistério ou ser ou nao ser- amaquina da vida, os segredos da morte e as questões existenciais

Nao há enigmas só lá fora. Aceite o desafio de sus voz interior. Na batida do surdo há um pulsar. De onde essa forca, o que ergue essas mãos? Que mágicos e intrincados enigmas engendram-se entre si para o milagre acontecer? O que há no micromundo bailado da vida? Com quais letra se escrevera DNA? Quantas charadas terá a vida? A maquina que te trouxe é a mesma que te levara...

Esta morre comigo... Alguém voltou para contar? Passado o portão, badalado o sino, como será por lá? Barulhos de toda sorte... Olha a batida na porta... Em mensagem de gente morta se pode confiar?

Da casa assombrada, o motivo? Quem estará a vagar: a mulher que morreu de saudade ou a bruxa secular?

Mas a morte é terreno guardado, difícil de pesquisar. Vamos pedindo licença, buscando entendimento... Vivendo com consciência que cada um tem o seu tempo...

De onde viemos? Para onde vamos? Deus existe? Vida após a morte? Livres ou predestinados? Responda "seus nossos" enigmas. E para nao ser devorado, encontre uma saída no labirinto de Creta. Pense, exista, recorra aos mitos. Seu desafio é encontrar seu próprio fio existencial.

Terceiro Mistério ou o que é o que é - enigmas lúdicos

Agora, desfranze essa testa. Vai, desvendar é se divertir-se o tempo todo! Você pode encontrar solução. Rastreio pistas, elimine hipóteses, faca cálculos, encontre a palavra. A curiosidade é amiga, e se nao mata, intriga! Se nao souber, a forca... É preciso descobrir o assassino. Eu faço a mímica, você caca a palavra! Quebre a cabeça... Uma fruta com a letra T!?! Onde eles estão escondidos? Ops... um, dois, três, pique-boia Juarez... Vem tentar comigo alinhar o cubo, adivinhar personagem, dizer se estou de lona na purrinha. Resolver é tao gostoso que tem gente que vive de "inventar problema".

Quarto Mistério ou como será o amanha - o enigma do futuro

O que tanto se procura esta na palma da mão. Na leitura complexa da revelação. Nos olhos "oblíquos e dissimulados" de uma cigana. Um arcano do taro, uma pedra runa, um búzio no mar... Ifa! Corte em três, embaralhe. Um rato e uma foice. O que diz meu futuro?

- Esta meio impreciso, é tentar confirmar...

Como será o amanha? Esse mistério gostoso, que pose muito importar, a Unidos deixa contigo. É o seu carnaval pessoal. Cabe mesmo a ti, fazendo um enredo da vida, desvendar, passo por passo, esse grande mistério que se chama você...

Edson Pereira - Carnavalesco

Sinopse da Santa Cruz para 2014

Do Toque do Criador à Cidade Saudavel do Brasil - Jundiaí, uma Referência Nacional (Santa Cruz - 2014)



CRIAÇÃO

Das mãos do Criador nascem paraísos...

Um Deus maior e soberano em um dia de inspiração divina fez do vazio uma abençoada terra de prosperidade, e com um toque mágico encheu de cores e di jeitinho certo fez nascer.

OS PRIMEIROS HABITANTES
Terra essa habitada por um povo indígena de origem tupi-guarani, os "Curuquins", povo este guerreiro e destemido, e também exímios pescadores. Organizavam-se em aldeia e cada cabana era habitada por mais de uma família mostrando um espírito único. Seu principal meio de subsistência era a pesca de Bagre abundante na região, daí surgiu o nome "JUNDIAÍ" como é conhecida, (vindo da palavra YUNDIÁ, de origem tupi-guarani) que para a língua portuguesa "JUNDIÁ" que significa "bagres" e "Y" que significa "Rio".

OS PRIMEIROS COLONIZADORES
Chegaram à região seguindo o processo de interiorização. Raphael de Oliveira e Petronilia Rodrigues Antunes que, por motivações políticas, fugiram de São Paulo e refugiaram-se nos arredores fundando a Freguesia de Nossa Senhora do Desterro. Esses colonizadores afugentaram os Grupos Indígenas, que cada vez mais se embrenharam na mata, por isso afirmamos que a origem de Jundiaí está ligada diretamente ao movimento bandeirante, principal responsável pela criação do portal do sertão.

O maior símbolo deste núcleo colonial foi a "árvore lendária", uma figueira gigantesca que existiu na região central da colônia, foi considerada e tornou-se lendária ao cumprir, nos primeiros tempos, a função de "alojamento" dos imigrantes.

DE LUGAREJO À CIDADE
Com o passar do tempo, o lugarejo foi ficando cada vez mais populoso, tornando-se necessário implementar um núcleo denominado "Fazendinha", que mais tarde serviu como referência para execução de estradas, fatos que impulsionaram o crescimento elevando o até então lugarejo ao status de cidade. Coma decadência do ciclo da cana-de-açúcar no Brasil, a produção cafeeira ganhou força, e isso promoveu ainda mais o crescimento, junto com o café vieram as primeiras indústrias.

O MARCO IMPORTANTE PARA A CIDADE
Festejado na época pela banda que tocou o dobrado foi a chegada da "Ferrovia Santos-Jundiaí"; na época observava-se a crise do escravismo no Brasil, neste contexto, os produtores rurais passaram a buscar novos trabalhadores e assim teve início o amplo processo de imigração, os primeiros foram os italianos que com sua mão de obra criaram raízes misturando-se ao povo local onde sua inconfundível simpatia, também onde se encontra a maior colônia em território nacional, logo após chegaram os japoneses com sua cultura e seu grande conhecimento agrônomo cirando um grande cinturão verde ao redor da cidade; os últimos a chegarem foram os portugueses que enriqueceram a cidade com sua culinária.

JUNDIAÍ, PRINCIPAL CIDADE DO CIRCUITO DAS FRUTAS
É conhecida como a terra do morango e da uva, onde é fácil encontrar uma adega de vinhos a cada esquina, mesmo que seja com um toque de morango; na cidade é realizada anualmente, de maneira intercalada, as festas do morango e da uva, reconhecidas nacionalmente.

Jundiaí observa características de cidade do interior aliada à modernidade e conforto de uma metrópole.

A SERRA DO JAPI
Parte de seu território e que também é conhecida como "castelo das águas" devido a sua riqueza hídrica, foi tombada como patrimônio mundial e declarada pela UNESCO como "Reserva de Biosfera de Mata Atlântica" na ECO 92, na cidade do Rio de Janeiro.

O DESENVOLVIMENTO CHEGA A CIDADE
Jundiaí destaca-se atualmente no desenvolvimento das aeras ambiental, cultural e tecnológica. Há ótimas ofrtas de áreas verdes, bairros tranquilos e excelentes parques municipais. Além disso, o clima da região é considerado o terceiro melhor do país, o que garante o conforto dos moradores durante todas as estações do ano e o privilégio de viver com a natureza a seus pés. A cidade prima pela qualidade de vida e fatores sociais; por tudo isso recebeu o título de cidade saudável pela Universidade de Toronto (Canadá).

QUALIDADE DE VIDA
A indústria do lazer fortalece a economia da cidade, variedade de teatros e parques temáticos que atraem turistas e geram empregos.

O cidadão munícipe é muito acalorado e em seus dias de lazer, que são feitos de muito amor e paixão; seja ele torcendo por sua agremiação carnavalesca ou pelo time do coração: O Paulista de Jundiaí!

O CORAÇÃO AGORA PULSA FORTE
O que é falar de Jundiaí, sem deixar de mencionar um dos maiores parques industriais da América Latina? A cidade tem plena certeza que agora sua vocação tornou-se realidade com grandes rodovias para escoamentos circundando e cortando seus limites. Assim podemos afirmar que Jundiaí hoje é uma referência nacional.

Autor do enredo: Daniel Ghanem

Sinopse da Estácio de Sá para o carnaval de 2014

Um Rio a Beira-Mar, Vento do Passado em Direção ao Futuro (Estácio de Sá - 2014)



Espalho-me vestido de sentimentos e folhas. Às vezes ligeiro, às vezes suave...refletindo nos rostos e na alma. Surjo no horizonte entre a calmaria e a tempestade, cruzo os mares trazendo antigos navegadores impulsionados pelo sonho da conquista de novas terras, glórias, riquezas, comércio e aventuras. Homens ávidos! Mesmo sob os meus cuidados, agem com displicência: foz, rios, mares, baías... A partir de uma grande confusão, aportam nas águas da Guanabara, acreditando ser a foz de um grande rio, denominado "Rio de Janeiro". Entre os corsários franceses e a "ação dos piratas", os portugueses, protagonistas deste episódio, lançam-se em defesa do ancoradouro recém-descoberto e povoam a cidade. Fonte de uma privilegiada geografia, a cidade-porto natural (antigo porto da Prainha), por excelência, torna-se um magnífico escoadouro de produtos tropicais.

Viajando na poesia do tempo...minhas "filhas brisas" sopram a riqueza desse "Rio a Beira-Mar": a descoberta de ouro e diamantes nas Minas Gerais e a abertura do caminho novo ligando o Rio ao planalto central converteram a cidade no principal centro intermediário do tráfico de escravos e mercadorias entre a costa africana, Lisboa e a região das minas. Porém, foi anos depois que o crescimento das atividades portuárias cariocas tornou-se ainda mais rápido, impulsionado pelo processo de modernização material e cultural que passou a transformar o Rio devido à chegada de D. João VI, à abertura dos portos e à expansão da cafeicultura.

Todos os caminhos levam ao porto: atraindo fortunas, aumentando a circulação de mercadorias e promovendo encontro entre raças e culturas. A cidade-porto cresce e privilegia seus traços urbanos. Sua estrutura amadurece entre caminhos sinuosos, becos, escadinhas, ladeiras e praças, interligando o Morro da Conceição, Morro de São Bento, Prainha, Pedra do Sal, Gamboa e Santo
Cristo.

A vida ganha leveza. Numa relação de causa e consequência, a cidade vai ganhando forma. Episódios protagonizados pela sua gente vão sendo encenados em todos os cantos e meios da cidade. Assim, de memória, como o despertar de uma doce aurora, embalo as paisagens bucólicas, entrelaçando-me aos "românticos" banhos de mar nas águas cristalinas da Chácara Imperial Quinta do Caju, reservados aos encantos da Família Real. Como brisa do mar...sou
maresia, sou quem muda o curso das águas à essência que resplandece dos cardumes ao acalanto das histórias de um pescador. Sou filho do tempo que sobreviveu à dor e ao lamento, que revelou a purificação da alma em um estado de sofrimento.


Mas, diante dos dados reais da vida, não só de tristezas viveram os negros na cidade portuária. As palavras de ordem tornavam-nos "escravos de ganho": sapateiros, quitandeiros, ourives e até poetas. Mas é na representação da sua cultura que eles se destacam no cenário carioca. As cercanias do porto, onde os negros se instalaram, deram o apelido de "Pequena África", reduto de
costumes e usanças africanas de inúmeras e pequenas famílias transportadas da Bahia.

A caminho do mar, tudo se revela. Samba, gingado e peixada na panela. Essas manifestações, promovidas pelas "tias baianas", ganharam forte popularidade com as reuniões do "babalorixá" João do Alabá e das tias Bibiana, Perciliana e Ciata, onde eram cantados sambas e chulas, reunindo, em seus terreiros, baianos e cariocas ligados ao samba e ao candomblé. Não só de samba nutriam-se esses grupos. Influenciados pela Folia de Reis, festeiros ganham as ruas, numa só empolgação, e desfilam no Rancho "Dois de Ouro" - o primeiro a ser fundado no Rio de Janeiro.

Numa leve brisa, abro as janelas do passado. Em direção à malha ferroviária, nasce a primeira favela carioca: Morro da Providência. Habitada, inicialmente, pelo contingente de soldados que lutaram na "Guerra de Canudos", a favela integra-se à Zona Portuária e, ao lado dos bairros já
tradicionais da região - Saúde, Gamboa e Santo Cristo -, promove o que originalmente chamavam de botequins: aquelas antigas "boticas" ou "botiquinhas", pequenos armazéns de secos e molhados em que se encontrava de tudo.

"Marco presença sem nem chegar... Sou real, sou um inesperado vendaval1!" A região do porto é palco de importantes movimentos sociais, políticos e de resistência dos negros. A Revolta da Vacina - contra a vacinação obrigatória - teve, no bairro da Saúde, a sua principal barricada. Local que anos depois, eclode no porto do Rio a Revolta da Chibata, quando marinheiros se insurgem contra os castigos físicos da Marinha e ameaçam bombardear a cidade.

Cruzo o céu de um tempo em que o sentimento "brasileiro" era marcado pela imaginação e pela influência da cultura francesa. Na "Bela Época Tropical", as reformas do prefeito Pereira Passos marcaram o início de um novo século. Um Rio de Janeiro moderno, progressista, belo e higienizado, ergue-se nos traços de um remodelado "Porto dos Sonhos". Neste sentido, o porto e a cidade se completam, visando à formação urbana marcada por inúmeras proporções históricas e culturais. Cenário em que a Praça Mauá protagoniza, como sendo a porta de entrada de todas as novidades que vinham trazidas pelas ondas - as ondas marítimas em que chegavam dos transatlânticos que atracavam no moderno porto do Rio de Janeiro e as ondas sonoras da Rádio Nacional que, do alto do edifício de "A Noite", o primeiro arranha-céu da cidade, encantavam verdadeiras multidões de ouvintes.


Sempre presente no ar...e, suavemente, me pego pensando: porto, encontro e despedida, lenço perfumado, aceno na beira do cais... Mas, conversa vai, conversa vem, já é noite e eu também preciso do meu bem... Numa movimentada vida noturna, os letreiros acendem...entram em cena, na Mauá by Night, as damas da noite, mariposas, marinheiros, gigolôs, boêmios, dando o clima do lugar. Hoje, o Rio é remanescente de sua própria História, esse mesmo Rio que outrora pensara ser uma "Paris Tropical", resignifica seus valores patrimoniais, destacando o porto de sua cidade, um "Porto Maravilha" - que resgate o contato do carioca com "MAR" - inspirado na cidade-porto de Barcelona, na Espanha. A revitalização da Zona Portuária saiu do campo do pensamento e se tornou real, aqui personificado em fantasias e alegorias na gênese de nosso desfile e na verdade das ruas que presenciamos em horários comerciais. Juntos, os programas de apoio ao cidadão e à cultura preservam a identidade, recuperam o espaço urbano e constroem uma cidade respeitando sua história e seu meio ambiente. Quem sou eu? "A vida é feita de ventos, uns serenos, outros intensos... Um vento agita e outro acalma"2. Mas todo vento é poesia que se entrelaça à vida em perfeita sintonia. Eu sou o vento que lhe trouxe esse recado, sou o vento que sopra na beira do mar, meu porto seguro...sou eu o vento do passado em direção ao futuro.

Carnavalesco: Jack Vasconcelos
Texto: Marcos Roza
Pesquisa: Jack Vasconcelos e Marcos Roza

Sinopse da Viradouro para o carnaval de 2014

Sou a Terra de Ismael. Guanabaran eu vou Cruzar... Pra Você Tiro o Chapéu, Rio eu vim te Abraçar (Viradouro - 2014)



Um belo cenário! O paraíso! A Água escondida...

O que hoje denominamos como Rio de Janeiro, por índios era habitado.

Portugal expulsa tamoios e franceses destas terras com a ajuda dos Temiminós que são liderados por seu chefe Araribóia, o Cobra da Tempestade, e como recompensa ganha a Banda D’Além...

No compasso do tempo suas transformações vão acontecendo e nasce Nictheroy... A partir daí tem início a construção de uma cidade que fora um dia o destino da Família Real em seus momentos de descanso e lazer; a capital da província e do Estado!

Esta terra onde João Caetano funda o teatro brasileiro alcançou palcos do mundo inteiro através da dança e da música na interpretação de seus grandes artistas. O teu passado retrata o fascínio pela sétima arte e o belo cenário da sorte cobiçada...

A natureza que te cerca tem a moldura perfeita para tanta beleza que, de tão bem posta, alegra a todos que reservam um momento ou até mesmo uma vida inteira contigo. É possível que sejas um jardim em forma de gentileza e que, sem qualquer modéstia, pode se expressar como a Cidade Sorriso.

Quem te retrata e te sente, com fé se sustenta e se manifesta ao passear por tua orla deslumbrando-se com seus contornos naturais, tão belos quantos os idealizados pelo mestre arquiteto, num caminho de ligação com o mundo ainda mais íntima.

Em sua paisagem viu surgir a concreta realidade de uma Ponte e a ligação com a cidade irmã diminuir...

E nessa alegria que só o carnaval possui permita-se celebrar nestes versos a tua história, a tua beleza e tudo mais que nos agracia indo comemorar com a cidade maravilhosa a celebração da sua data.

Rememore o mesmo elo que nos primórdios vos uniam, defenda na passarela dos sonhos o seu carnaval, demonstrando mais uma vez que juntos a vitória se alcança e que mesmo com todas as aparentes diferenças, Rio de Janeiro e Niterói, ligados e unidos para sempre estarão.

SINOPSE


“Vasto cenário que cultiva o encantamento.
Uma grande paisagem íntima aos suntuosos olhos de Deus.”
(Alberto Araújo, Poema - Cidade Sorridente, 2011)


A “Água Escondida”, a Banda “D’Além” que Araribóia recebeu
Tornou-se São Lourenço dos Índios que o jesuíta catequisou
Foi a recompensa do herói que ao Rio de Janeiro defendeu
E nos seus fortes estão as marcas da bravura de quem lutou.

A tua história traz em si uma constante evolução
Sobre os trilhos desbravou e ultrapassou muitas fronteiras
Teus estaleiros tem início com a ousadia do Barão
Com o óleo trouxe a luz, e venceu outras barreiras.
Da Família Real ganhou profunda admiração
De Vila Real a Imperial Cidade outros títulos receberia
Três são os anos que ostenta em seu brasão
Muitos foram os fatos que nos preencheram de alegria.


“Tudo, tudo em ti é motivo de alegria.
Assim: a natureza em forma geométrica se compõe,
e na memória guarda-se a melodia
Niterói... mística, côncava, gloriosa
nos quatro cantos ornamentos.”
(Alberto Araújo, Poema – Niterói Meu Amor, 2012)


Através da tua história muitas artes te definem
Na pintura tem Parreiras, seu filho mestre a se louvar
Nesse universo de talentos, grandes nomes tão sublimes
Com sua música e sua dança possuem o dom de emocionar.
Seu cassino e seus cinemas nos ofereceram outra arte
João Caetano nesta terra funda o teatro brasileiro
Os seus frutos são atores que te orgulham em toda parte
Em teu palco toda arte tem espaço por inteiro.

Tuas lagoas e reservas são riquezas fabulosas
Toda beleza em tu habitas, e em tua orla é que se sente
Que a natureza se harmoniza na leveza das suas formas
Sobrevoando de asa delta ou se lançando ao ar de parapente.
Muitos são teus recantos onde se destaca a sutileza
Feito o Solar do Jambeiro e o belo Horto arborizado
Convivendo em teus espaços e preservando a natureza
Bom é desfrutar do bento Campo de apreço inestimado.
Devoto jardineiro foi o Profeta que, pregando a gentileza,
Semeou paz e esperança, deixando as cinzas no passado
Cultivado em longos anos as suas futuras grandezas
Fez voltar o riso à face deste povo agraciado.

Nesta cidade onde o mercado é referência em pescados
Faz pra São Pedro barqueada na celebração da sua festa
São João, o padroeiro, a Senhora sob o manto sagrado
Abençoam toda gente em sua fé que não se contesta.
Em teu solo, o futebol, oficial assim se torna
E teus atletas grandiosos te consagram com o ouro
Conquistar as tuas mulheres um desafio posto à prova
A educação é a boa herança oferecida pro teu povo.
O lazer em tuas praias é um convite a toda idade
Em tua orla novas formas se transformam num caminho
Pela arquitetura do Mestre que deu um símbolo à cidade
Faz sua gente num sorriso te agradecer tanto carinho.
Porém uma grande obra causou tamanha revolução
Deixando de ser um sonho para ser concreta realidade
Quarenta são os anos desde a sua inauguração
Treze são os quilômetros que unem duas cidades.



“Eu quero ver você cantar, extravasar
Quando a cidade sorriso passar...”
(Viradouro, 2005)

Com a mesma valentia em que o índio te defendeu
A Viradouro em suas cores pinta seu povo pra lutar
Com a magia de um Gênio todo mundo reconheceu
O valor da sua gente e o seu prazer em festejar.
E Se Niterói é a recompensa que um dia o Rio concedeu
Atravessamos a Guanabara para juntos festejar
Com todo povo de Ismael, que desta terra é filho seu
Tornando o mundo a sua escola e o samba o seu lugar.
Nosso desfile é o presente que ofertamos a você
Na Passarela que em trinta anos muitos sambas viu passar
De braços abertos como costuma nos receber
Faz-se então aniversário que todos vão comemorar.
E na magia que envolve este carnaval de emoção
Por boa parte da história que esta cidade tem pra mostrar
Imenso é nosso orgulho de ser Niterói de coração
Fazendo dele o grande enredo que a Viradouro vai contar.

Pesquisa: João Vitor Araújo e Anderclébio Macêdo
Texto: Anderclébio Macêdo

Sinopse da Caprichosos de Pilares para o carnaval de 2014

Dos Malandros e das Madames: Lapa, a Estrela da Noite Carioca (Caprichosos - 2014)



A Caprichosos de Pilares apresenta com muita malandragem a história de beleza, boemia, corpos, copos e poesias de um lugar que atravessa séculos garbosamente belo, onde antigas construções contrastam com o jeito jovem de curtir a vida.

Arcos e trilhos, choros e risos, histórias e estórias, guardam momentos que o tempo jamais apagará de minha memória, pois vivi neste cenário privilegiado, situações inusitadas de delicadeza e bravura.

Ah! A Lapa... Meu corpo nasceu longe daqui; minha alma nasceu na Lapa. Meu corpo não vive mais, mas minha alma ainda vive nesses becos de hoje, não morreu, nem morrerá. Seguirá viva na memória de cada um de vocês, em cada história que ouvirem daqui.

Fui bela na dança, mas também fui fera na capoeira herdada de meus ancestrais de pele negra, escravos como os que pisaram e semearam culturas neste chão.

Negros com braços fortes e mãos calejadas que ergueram tão belo Aqueduto. Quem diria! Construído para trazer água para o povo, mostrou-se exuberante, “correu para o Rio” e voou para o mundo impresso em cartões se transformando em um dos maiores símbolo desta cidade tão cheia de símbolos.

E a água jorrou em bicas, matou sedes, trouxe dos rios a riqueza e a fertilidade, deixando florescer a cada dia sementes de sabedoria antes aqui plantadas.

Ao som de um sino desacompanhado, sob o olhar da santa, o bairro foi começando a surgir, beirando a única estrada que serpenteava o vale. Desterrando aqui, aterrando ali... Nasceu a Lapa, com direito a passeio e bela vista ao mar.

Dali avistou-se a chegada da família real, trazendo na bagagem culturas, costumes e muitos ideais. Trouxeram também uma enorme contribuição para a urbanização da cidade, abrindo estradas e portos, importando artistas, valorizando a arquitetura e proporcionando grandes avanços culturais.

A boemia já rondava este lugar. Contagiou portugueses festeiros que criaram sociedades carnavalescas, e por serem democráticos, além de realizarem luxuosos bailes, também brincavam pelas ruas. “Ô abre alas que eu quero passar”, assim cantava nosso povo celebrando a liberdade.

Trilhando novos caminhos e criando novas formas de locomoção, surgiu o bondinho sobre os arcos que além de facilitar a subida ao morro deu à Lapa o charme e a marca que faltavam para o nosso cartão postal.

Botando abaixo o antigo e dando espaço ao novo, passo a passo o bairro foi se modernizando e se transformando num afrancesado e charmoso lugar. A Belle Époque carioca exuberou por suas ruas estreitas cheias de virtudes e pecados.

A Lapa ficou famosa sob meu reinado, por seus  cabarés, clubes de jogos, restaurantes, botequins e hospedarias, com a noite por testemunha do já tradicional reduto da boemia carioca.

Era aqui que homens cansados, vindos dos mares distantes, aportavam desejos nos bares. “Garçom, traz mais trago!” Entre um afago e outro de vendedores de amores.

Paixões vividas, cantadas em serestas enquanto a cidade dormia. “Abre a janela formosa mulher”, cantavam mil poetas trovadores. E nasciam personagens que ilustraram becos e ruas, deixando histórias populares, e toda uma mística em sua aura.

De baixo da aba do meu chapéu vi a mesma lâmina que feria também refletia  a inspiração dos pintores, escritores, compositores, artistas em geral, personalidades que ajudaram a compor o quadro de ilustres que viveram por aqui e por muitas vezes retrataram o cotidiano em suas obras.

Hoje sem terno e sem navalha, mas com a mesma boemia na veia os “novos malandros” se divertem cada um no seu quadrado, são tribos de estilos e gostos, onde a diversidade compõe  tão imenso e criativo mosaico cultural.

O clarão que a noite traz, faz com que as mentes se abram e os olhos se fechem para o baixo astral, e para qualquer tipo de preconceito. Classes e cores se misturam, a opção é de cada um, o que todos querem é jogar conversa fora tomando uma cerveja gelada e celebrando a vida onde o lema é :”viver e não ter a vergonha de ser feliz”.

É hora de subir no morro, voar por escadas coloridas, pisando cada degrau de um Brasil construído carinhosamente com pedaços de arte.

Vou em frente, vestido com minha fantasia premiada; quero olhar de cima, ver os blocos passarem colorindo o asfalto e esbanjando alegria com nossas eternas marchinhas de tantos e inesquecíveis carnavais.

Conhecer cada jovem que em minha trilha reinventou tantos novos palcos. Semente desta Lapa fundida e voadora de amores misturados.

Aqui me eternizei sendo protagonista de uma história de arte, malandragem e fé, num lugar onde a vida é vivida intensamente sob os olhares do Malandro protetor que com sua magia e alegria, pede mais um brinde, afinal aqui todo dia é sexta-feira.

A um passo da “Glória”, no ponto maior do mapa reluz a Lapa, a estrela da noite carioca.

Enredo: Amauri Santos, Alex Fab e Jr Escafura.

Sinopse da União do Parque Curicica para 2014

Na Garrafa, no Barril, Salve a Cachaça! - Patrimônio Cultural do Brasil (União do Parque Curicica - 2014)



Ela está nas mesas, nos bares e no coração do Brasil. Tem selo verde e amarelo de autenticidade e é uma grande paixão nacional. Passou por transformações, numa espécie de alquimia tupiniquim: era doce e virou aguardente. Era verde e virou ouro. Era história... e virou samba!

É o combustível para muitas inspirações. Por isso, puxe um banco, erga um copo e venha molhar a palavra, porque hoje é carnaval!

Primeiro Gole – “Pinga ni mim”

Os portugueses haviam recém-chegado ao Brasil e descobriram uma engenhosa forma de nos explorar. Com a cana em alta cotação na Europa, faltavam terras para plantar e mãos para colher. A partir da chegada de Cabral e com o crescente comércio de escravos com a África, dois problemas foram resolvidos com uma só talagada.

A cana transformou as terras do litoral brasileiro, especialmente no Nordeste, em um imenso mar verde, que farfalhava ao sabor do vento. Até que um dia a garapa armazenada nos tachos fermentou. E dos alambiques pingou, sobre as feridas do escravo que tinha a pele negra aberta a chicotadas nas lavouras. Primeiro, a água ardeu. Depois, a bebida passou a amenizar o sofrimento na senzala.

As moendas giravam, a economia também. E o açúcar, de doce, passou a ser aguardente... que virou feitiçaria! Foi assim, na lábia, que Bartolomeu Bueno da Silva, mais conhecido como Anhanguera ou Diabo Velho, mandou um “171” pra cima dos índios. Acuado, disse ser o deus do fogo e ameaçou incendiar os rios da região. Na verdade, as chamas que encandearam o olhar incrédulo dos nativos queimavam pela ação da cachaça. Com o truque, o bravo bandeirante perdeu uma garrafa do precioso líquido, mas fez novas amizades. Tudo bem que à base de medo, intimidação e um pouco de superstição, mas e daí? Não se faz amigos bebendo leite, certo?

Segundo Gole – “Glória à Cachaça... e a todas as lutas inglórias”

Mais tarde, Portugal viu cambalear a cultura da cana-de-açúcar, que os holandeses espertamente foram plantar nas Antilhas. A Coroa resolveu, então, aumentar os impostos sobre a cachaça, que àquela altura era exportada para Angola, rendendo bons lucros aos senhores de engenho. Produtores do Rio de Janeiro e da região da antiga Freguesia de São Gonçalo do Amarante (em cujas terras hoje ficam os municípios de Niterói e São Gonçalo) se rebelaram contra a taxa. Surgia assim a Revolta da Cachaça.

Sai a cana, entra a mineração. A história você já conhece... poucos ganham, muitos trabalham e assim seguia a vida na Colônia. Mas nas alterosas montanhas de Minas Gerais, o frio era de matar. E mais uma vez os escravos entraram numa gelada. Nas minas de ouro, para se manterem aquecidos, os negros escravizados entornavam mais e mais a aguardente. Parece até sacrilégio dizer isso, mas é a pura verdade: o luxo das igrejas barrocas banhadas a ouro deve muito da ostentação à “marvada” pinga.

Ainda em Minas, alguns inconformados com a alta tributação da coroa portuguesa tramavam em segredo outra revolta. Os Inconfidentes não dispensavam uma boa cana e brindavam ao sucesso da ousada empreitada. Mas no final o que ficou foi uma tremenda ressaca: Tiradentes foi enforcado, muitos presos e a Coroa... bem, essa só foi perder a boquinha anos e anos depois com a Independência proclamada por Dom Pedro I, que, dizem, ergueu um brinde à nova nação com uma boa e velha pinga!

Terceiro Gole – Vai uma pro santo?

Se a cachaça tem lugar cativo na história, também marca presença na fé do brasileiro. Ela é combustível desse sentimento, dessa nossa força tão peculiar. Tanto que ganhou uma dose a mais de identidade verde e amarela com oferendas para santos de diversas crenças e de diversas origens.

Nas religiões afro-brasileiras, Exu, o mensageiro entre o céu e a Terra, é saudado com marafo, que nada mais é que a boa e velha cachaça.  Ali, na aguardente, estão perfeitamente unidos em uma só bebida dois elementos fundamentais e opostos: a água e o fogo. Os trabalhos ritualísticos feitos pelos sábios Pretos Velhos também têm na bebida um elo com os espíritos. E de gole em gole, são tecidos os laços com a nossa ancestralidade.

Mas não é só nos terreiros dessa imensa nação que a cachaça tem ligação com o sagrado. Nas trovas populares, São Benedito é saudado como o “santo preto / que bebe cachaça / e ronca no peito”. E assim é o Brasil. Uma nação fundada na fé de um povo que ao beber, não se furta a destinar um golinho pro santo. Seja qual for a devoção.

Quarto Gole – “Você pensa que cachaça é água?”

Simbora, meu povo, que (o que repetido) hoje é noite de festa! Não vai faltar quentão pra esquentar a louvação a Santo Antônio, São João e São Pedro. E dessa água pode até ser que passarinho não beba, mas lá em Paraty ela anima os violeiros e faz a alegria na Festa do Divino.  E já que o brasileiro é chegado a uma mistura, nada melhor do que fazer do limão da vida, uma limonada. Melhor ainda: que tal adicionar um pouquinho de cachaça e fazer uma caipirinha?

Agora, pra encerrar o papo, só mais golinho, porque, afinal, na festa de Momo, a branquinha é a tal. Folião que é folião já pulou no salão cantando o que lhe é essencial nesses quatro dias de loucura: “pode me faltar o amor / isso até eu acho graça / só não quero que me falte / a danada da cachaça”.

Mauro Quintaes
Carnavalesco 

Sinopse da Alegria da Zona Sul para o carnaval de 2014

Sacopenapã (Alegria da Zona Sul - 2014)



Devoção e Fé – O Batismo de Sacopenapã

A história e a riqueza cultural de Copacabana não têm sua origem baseada apenas na cultura brasileira. Há centenas de anos, Nossa Senhora de Copacabana – a padroeira e santa que deu nome ao lugar, era símbolo da fé de um povo proveniente das Américas. Uma tribo indígena do império Inca, que praticava rituais às margens do Lago Titicaca na Bolívia/Peru, trouxe para o Brasil a imagem da santa padroeira das águas – também conhecida como Nossa Senhora de Kopakawana (a deusa da fertilidade) – em uma expedição para acumular riquezas, como o ouro e a prata (final do séc. XVII). Ao desembarcarem no Brasil (em Copacabana), os índios peruanos, de origem Quíchua, construíram uma capela em meio a rochas e pequenas montanhas, à beira mar de Sacopenapã – primeiro nome de Copacabana, que significa “o caminho dos socós – aves raras” em tupi, para continuarem o culto a sua santa.

Sacopenapã teve na fé a diversificação da sua cultura. Um bispo da igreja católica do Rio de Janeiro acreditou que Nossa Senhora de Copacabana (Kopakawana), a santa soberana das águas, salvou a vida de alguns pescadores nativos em alto-mar, durante um naufrágio. Dessa forma, o bispo da Igreja Católica do Rio de Janeiro emancipou Nossa Senhora de Copabacana (Kopakawana) em nossas terras e mandou construir uma igreja no alto das pedras, perto das águas do mar, em sua homenagem (séc. XVIII). A santa ganhou fiéis e seguidores, se tornando por aclamação nome do lugar e a virgem padroeira da “nova Copacabana”, a riqueza mais bonita que o Rio de Janeiro estava para conhecer. Um verdadeiro paraíso tropical.

 A Nova Copacabana

O bairro passa ganhar vida e o povo a conhecer e visitar o lugar de Nossa Senhora de Copacabana. No início do século XIX, um grupo de artistas franceses veio para o Rio de Janeiro com a missão de transformar o pensamento da sociedade e as artes em geral. A missão revolucionou a sociedade e a arte carioca, transformando o Rio de Janeiro. Com mudanças no sistema acadêmico, houve uma difusão de idéias quanto às Belas Artes e à Arquitetura Neoclassicista. Copacabana acabou sendo o bairro que mais aderiu aos “ideais” franceses, se tornando a “morada” da arte francesa no Rio de Janeiro.

Uma citação do pintor francês Jean Baptiste Debret em seu livro, “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil”, escrito quando o artista estava no Brasil para a Missão Artística Francesa, em 1834, mostra o quanto Copacabana passara a ser admirada, se tornando uma obra-prima do Rio de Janeiro.

Junto da influência francesa, surge no bairro um novo um grupo de artistas. Os “vendedores de arte”, que faziam das ruas de Copacabana as suas paisagens, vendendo quadros com as belezas naturais do Rio de Janeiro. Os vendedores foram inspirados pelos artistas franceses que vieram para o Rio de Janeiro junto com a missão artística, trazendo consigo uma arte ainda desconhecida na cidade, a “arte natural”.

Eis que o progresso trouxe para Copacabana traços da urbanização. Em 06 de julho de 1892 é inaugurado o primeiro túnel do bairro, abaixo do Morro da Vila Rica, integrando-o ao resto do Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, a ampliação das linhas férreas (bondes) da Igreja de Nossa Senhora de Copacabana ao Forte do Leme trouxe para o bairro novas casas e ruas, principalmente após a inauguração da Avenida Atlântica, que separa o bairro da praia, abrigando também diversas personalidades.

No inicio do século XX, devido aos avanços armamentistas e as evoluções na tecnologia naval, o Rio de Janeiro decidiu proteger a sua costa e construir uma fortaleza à beira-mar. Em 1914, o presidente da república, Marechal Hermes da Fonseca, inaugura o forte de Copacabana, a “Fortaleza na Ponta da Igrejinha”. Com grande apelo cultural, por ser construído junto à Igreja de Nossa Senhora de Copacabana, o forte se torna um patrimônio, sendo hoje um dos cartões-postais da cidade.

E assim, unindo progresso e arte, é construído em Copacabana o hotel mais luxuoso e famoso do Rio de Janeiro. Diversas vezes eleito como o melhor hotel da América do Sul, o Copacabana Palace foi projetado pelo arquiteto francês Joseph Guire, que se inspirou em grandes hotéis da Riviera Francesa. O hotel foi decorado com mármores e cristais importados e, consequentemente, marcou a era do “Luxo e do Requinte” no Rio de Janeiro, hospedando grandes astros da música, televisão, esporte, política e da alta sociedade. Dez anos após sua inauguração, o hotel já era famoso em todo o mundo, e assim se tornou inspiração cinematográfica, no musical americano "Flying Down to Rio". O filme conta uma história de amor em terras brasileiras.

 Copacabana Cultural

Com a propagação de Copacabana nas telas do cinema americano, surge a “Terceira Cinelândia Carioca”, o lugar onde as estrelas internacionais e os grandes astros nacionais poderiam acompanhar os maiores sucessos do cinema americano que acabara de explodir. O Cine Americano (1916, primeiro cinema do bairro) sobreviveu durante décadas até o descaso de governantes, que o transformaram em um cassino. O único que resiste de tempos antigos é o Roxy, um “palácio cinematográfico”, referência na história do cinema carioca.

E Copacabana, com seu ar de poesia, abraçou os poetas. Suas riquezas naturais se transformaram em inspiração para músicas de um novo estilo musical que estava surgindo. A música popular brasileira via estourar em suas casas de shows, a Bossa Nova. Com influências do Jazz americano e do samba naturalmente brasileiro, a Bossa Nova fez com que sambistas e estrelas da música internacional se unissem ao clima romântico que o Rio de Janeiro e Copacabana exalavam.

Consagrados nomes da música se tornaram adeptos e criaram em Copacabana (meados dos anos 50 e 60) o Beco das Garrafas - primeira morada do estilo que iria revolucionar a música do Brasil, que, com seus bares, boates e cabarés, se firmava como o centro de artistas e personalidades do Rio de Janeiro e o bairro seguia sua evolução natural, tornando-se um “refúgio da arte e da cultura”. O dedilhar de um violão à beira-mar... Canções de amor... Tudo deixava de ser apenas um sonho, e se tornava símbolo do nosso bairro.

Um desses grandes músicos, pioneiros na Bossa Nova, fez de Copacabana sua musa inspiradora para uma canção que tocou no sentimento do carioca. Antônio Carlos Jobim – Tom Jobim – interpretava a canção de João de Barro e Alberto Ribeiro, uma das mais belas canções em homenagem a toda beleza do bairro carioca.

Tal músico, aliado a outros grandes artistas como Nara Leão e Braguinha, consagrou uma travessa sem saída, chamada de Duvivier, que fez sucesso durante anos, fazendo da noite em Copacabana a morada da boemia e da boa música.

Assim, o bairro se desenvolvia... Seu pedaço de terra passara a ser disputado por muitos. Lugares rústicos e pobres são adotados por pessoas humildes e trabalhadoras... Dos barracos das favelas “chiques” de Copacabana, surgiam versos e melodias geniais, de mestres do samba... Bezerra da Silva, Doca, Alcides Fernandes, Haroldo Santos... A arte popular se prosperava ali.

A poesia e a boêmia carnavalesca desceram os becos e ladeiras para conquistar toda a cidade...

Com desenvolvimento de misturas de ritmos musicais, surgem as marchinhas, e o carnaval de rua passa a ganhar destaque no cenário nacional, principalmente em Copacabana. As ruas enfeitadas... confetes e serpentinas, amores e paixões de um tempo que parecia infinito... O bairro se tornava o lugar onde bailes e blocos gostavam de brincar. Seu chão era romântico, o clima nostálgico encantava... Afinal, quem não se divertia no famoso “banho de mar a fantasia”?

 A Princesinha do Mar – Um Cartão-Postal do Brasil

E assim, de mãos dadas com a alegria... Vamos terminar de onde começamos, com fé... Fé que batizou esse lugar, fé capaz de fazer o homem sucumbir a todos os defeitos de uma vida, que refaz o seu sincretismo na terra e no mar. Nossa Senhora de Copacabana recebe de braços abertos, Iemanjá, a Rainha do Mar. Todo ano, antes da tradicional festa de réveillon, é organizada uma festa em forma de procissão, homenageando a rainha e abrindo os caminhos para o ano que virá.

Iemanjá, santidade de religiões afro-brasileiras, é louvada e adorada no Brasil, tendo milhares de fiéis que seguem este ritual desde 1950, quando um grupo de candomblecistas fez pela 1ª vez a procissão em direção ao mar de Copacabana, levando oferendas, perfumes, frutas, espelhos, jóias e flores, para pedir paz, amor, prosperidade, felicidade e sorte para o próximo ano. A procissão segue o seu cortejo e no final, um barco é jogado ao mar com os pedidos dos devotos, agradecendo ou pedindo a chegada de ano melhor.

Hoje, Copacabana recebe e sente o seu povo... É o lugar onde cada um pode sentir a paz e o clima ideal para viver. É ideal para a terceira idade... É ideal para os esportes graças a sua orla... É ideal para eventos culturais e artísticos... Sua história mostrou que Copacabana pode receber tudo e todos com o mesmo carinho.
  
E o destino colocou Copacabana no caminho do Alegria da Zona Sul. Teu centenário se confunde com a nossa fundação (1992). Junto ao samba, criou mais um capítulo na sua história. Da inspiração de poetas boêmios, sambistas de fato e apaixonados por carnaval, nasce uma jóia. De uma fusão de dois blocos carnavalescos, no dia 28 de junho de 1992, o Alegria da Zona Sul se torna a “minha escola do coração”. Escola que não esquece suas raízes e nem os talentos e mestres do seu passado. O nome de Copacabana está no altar do samba.
  
Vamos admirar toda beleza que a vida pode nos oferecer e agradecer o presente que a natureza nos deu. Com a bênção da padroeira e da grande rainha do mar, o G.R.E.S. Alegria da Zona Sul tem fé e faz a sua louvação. Que hoje a nossa terra seja ainda mais abençoada e nos traga a tão sonhada vitória.

SACOPENAPÃ!

Sinopse do Império Serrano para o carnaval de 2014

Angra com os Reis (Império Serrano - 2014)



“É treze dias, treze noite. Foi que os três reis viajaram. Quando chegaram em Belém, todos os três descansaram. Rei Melchior, Baltazar, Gaspar e companhia. Foi visitar o Deus nascido, filho da Virgem Maria. Toparam Deus menino e veio grande alegria. Levaram mirra, incenso e ouro pra Deus oferecia. Nossa Senhora agradecia nós vamos despedir, desse presépio sagrado, aquele que me ouviu, até breve, muito obrigado.” (citação em Jongos, Calangos e Folias)

Foliões da corte imperiana, hoje é o grande dia! Sigam o bandeireiro que carrega o estandarte da folia dos santos reis, ornado com rosas em tons claros e enfeites de espelho. Os palhaços, com suas máscaras cintilantes e seus apitos estridentes, afastam o mal e incorporam a fé. São mirabolantes piruetas que, numa profusão de multicores refletidas em suas vestes, nos fazem delirar. Os cantadores entoam em seus versados a história de terras distantes e anunciam que o salvador nasceu!

Nós, os Reis Magos do menino Jesus, que já ofertamos a mirra, o incenso e o ouro, pedimos ao reinado da Serrinha que tragam para este cortejo seus pandeiros, tamborins e agogôs. Nossa folia parte desse cantinho que foi recortado e desenhado entre o mar e as montanhas, feito obra do nosso Deus. As cores d’África, que bordaram essa história, agora iluminam com mais força a nossa bandeira em cortejo.

É tempo de festa, são os festejos da fé. Vamos saudar o Divino Espírito Santo, com tapetes de serragem colorida e lençóis brancos nas janelas. Vamos rezar com Nossa Senhora da Conceição e com São Benedito, aproveitando a festança com o congado. Em coro cantamos as memórias de Moçambique, de Congo, de Angola; canto nêgo, batuque forte, preto banto, nação Nagô. O festeiro comanda a tirada da bandeira e anuncia a próxima parada. É tempo de improviso, de jongo e de calango.

“No Batuque com os Reis”

“Nasci na Angoma, gente, e Angoma quem me criou. Eu sou filho de Moçambique, gente, eu sou negro sim senhor.” (Ponto de Jongo de tradição oral)

Em Santa Rita do Bracuí, terras de desembarque de “peças” em cativeiro ilegal, gente quilombola se formou. Gente que nas horas de lazer teve o dom de rimar, versar histórias, contos e cantos do seu bravo cotidiano. Gente guerreira que com suas mãos trabalharam na lida do ouro e trilharam histórias com a estrada real. Mãos que cortaram cana de açúcar no pé e que carregavam as águas do Aqueduto da Vila do Abraão, relíquia de Ilha Grande que tanto inspirou Dom Pedro II em suas visitas pela região. As mesmas mãos calejadas que construíram a sua resistência, agora tocam seus tambores e dão ritmo ao candongueiro e ao caxambu.

O ponto é a flecha! É um dizer, com dois entender. Enfeitadas com suas saias floridas as meninas giram forte na roda, a nação imperiana veio nos visitar! A roda agora está completa e o jongo pode começar! É a luta pela consciência negra, é o brado da identidade africana e quilombola que une a comunidade de Bracuí com os jongueiros da Serrinha. E assim, pelos caminhos do jongo, vamos conhecendo e reencontrando nossos irmãos. A benção, Angoma puíta, cante alto meu véio prosador... A benção, mãe preta do terreiro, tocaremos alto o som do tambor.

“Tropicalmente com os Reis”

“Assim como os três reis magos que seguiram a estrela guia. A bandeira segue em frente atrás de melhores dias. No estandarte vai escrito que ele voltará de novo. E o Rei será bendito, ele nascerá do povo, ai, ai”. (Ivan Lins)

Nascido do povo, o menino imperador do Divino Espírito Santo é o sinal da aliança entre Deus e os habitantes da terra. E nessa hora, o cortejo irá reverenciar o paraíso natural, e toda a corte imperiana benzida pela oração poderá admirar o sol se pôr às margens da Lagoa Azul. É hora de fazermos um mergulho pelas profundezas dos mares desse lugar, com praias deslumbrantes e ilhas de riqueza natural.

Um novo mundo a descobrir: da região portuária ao pioneirismo da cultura da pesca, vemos os peixes de tons exuberantes, algas-marinhas que pulam no nosso olhar. As águas-vivas parecem bailar com a folia do cortejo subaquático. Plantas gigantescas, flores exóticas e pássaros coloridos nos recebem como cartão-postal de inspiração para que a corte imperiana se sinta tropicalmente fascinada!

No encontro com as belezas da região, vemos que a própria natureza é transformada em eletricidade, através das usinas nucleares da região. É uma realidade, está lá. E tendo consciência ambiental, o progresso é aceito com preservação!

Emergimos das profundezas dos mares na praia de Mambucaba, do Sul, do Leste e com a leveza de uma gaivota que plaina sobre esse mágico lugar, descobrimos o verde que envolve o azul e dá forma à angra, linda Angra. Nossa Angra que recebe uma corte suburbana em folia tropical, uma Angra de Reis!

“A Coroação dos Reis da Serrinha pelos Reis Magos”

“Como se saúda a Rainha do Mar? Alodê, Odofiaba, Minha-mãe, Mãed'água, Odoyá! Qual é seu dia? Nossa Senhora? É dia dois de fevereiro. O que ela canta? Por que ela chora? Só canta cantiga bonita. Chora quando Quando na beira da praia. Eu vou me abençoar. (Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro)

E por fim, nós, os reis de uma cidade, os reis da fé, faremos a coroação do reinado da Serrinha, do Reizinho de Madureira, em plenas águas da rainha do mar, sobre o cortejo que junta alegria e fé, história e causos, e reverência toda corte do samba. Junto com a procissão marítima de final de ano, saudaremos os convidados dessa festa: A nação imperiana!

O jongo que nos une e que nos mistura em uma só identidade fará a melodia que bordará esse encontro. As múltiplas cores do cortejo vão se unir ao verde e branco do nosso manto. A sinfônica orquestra de Madureira rufará seus tambores para receber a bênção e a coroa dos reis que um dia coroaram o menino Jesus.

E dessa forma os baluartes do samba, os fundadores do nosso pavilhão, todos que criaram uma nação de sambistas verdadeiros, são honrosamente coroados. Hoje é o dia da vitória, o dia da coroação dos mestres sambistas pioneiros. Hoje é o dia daqueles que fizeram da nossa escola de samba o patrimônio histórico cultural. E que assim seja, sob as bênçãos de Odoyá!

Entre o sagrado e o profano, foliões de reis e foliões do samba nesse dia carregarão uma só coroa: a coroa do glorioso Império Serrano.

Com carinho, Melchior, Baltazar e Gaspar.

Pesquisa e texto do enredo: Eduardo Gonçalves e Eduardo Nunes
Livremente inspirado na obra filmográfica “Jongos, Calangos e Folias: música negra, memória e poesia.” Direção Geral: Hebe Mattos e Martha Abreu.

Sinopse da Inocentes de Belford Roxo para o carnaval de 2014

O Triunfo da América - o Canto Lírico de Joaquina Lapinha (Inocentes de Belford Roxo - 2014)




INTRODUÇÃO
 

A opção do G.R.E.S. Inocentes de Belford Roxo em escolher um enredo que vai retratar a história pouco conhecida de Joaquina Maria da Conceição Lapa, a Joaquina Lapinha, almeja justamente abraçar uma oportunidade ímpar de dinfudir a genialidade da artista que, considerada uma joia de raro talento, venceu preconceitos e foi pioneira no processo de emancipação da mulher.

Expoente da música brasileira no século XIX, Lapinha é o retrato de um paradoxo: a herança africana e a erudição europeia; o preto e o branco ( e por que não citar o dourado, tão intrínseco à nobreza por ela conquistada?); a resistência e os costumes; a lança e a lira; o tambor e o piano; o cantar e o interpretar; a música e o teatro.

Inicialmente considerados contrastantes, tais aspectos revelam-se perfeitamente harmônicos e complementares, na interpretação histórica, despretensiosa e libertária adotada pela Agremiação no processo de retratação e desenvolvimento do carnaval 2014.

SINOPSE

EM UMA ÓPERA DE QUATRO ATOS, MUITOS FATOS A DESENROLAR: CONTAR A HISTÓRIA E A TRAJETÓRIA DE MARIA DA CONCEIÇÃO DA LAPA, A JOAQUINA LAPINHA; MARIA MINEIRA, MARIA GENUINAMENTE BRASILEIRA.

MULATA DA LAPA, E DETENTORA DE UM TALENTO NATO, REVELOU AO MUNDO O SEU EXTRAORDINÁRIO DOM DE INTERPRETAR, TANTO COMO CANTORA SOPRANO, QUANTO COMO ATRIZ DRAMÁTICA.

NEGRA LÍRICA DE VOZ ONÍRICA TEVE QUE SUPERAR UM DRAMA HEROICO E SOBREPOR O SEU TALENTO À SUA COR, ARRANCANDO APLAUSOS DE PLATEIAS EXIGENTES E ELOGIOS DE CRÍTICOS RENOMADOS, TANTO NO BRASIL COMO NO EXTERIOR, MAIS ESPECIFICAMENTE NO RIO DE JANEIRO E EM LISBOA (PORTUGAL).

SUA ORIGEM, SUAS RAÍZES E SUA ANCESTRALIDADE FORAM INDISPENSÁVEIS NA QUEBRA DE TABUS E NA SUPERAÇÃO DE PRECONCEITOS, PROPICIANDO A IMENSA CONTRIBUIÇÃO DE LAPINHA ENQUANTO ARTISTA DIFERENCIADA, EXPOENTE NO PERÍODO COLONIAL BRASILEIRO.

A ARTE, PERFORMANCE E APTIDÃO CLARA SUPERARAM O PRECONCEITO DA PELE ESCURA, ALCANÇANDO PRESTÍGIO, FAMA E RENOME INTERNACIONAL, CONQUISTANDO AINDA, A REALEZA DAS TERRAS LUSITANAS.

MAIS QUE TEMA DE ENREDO, LAPINHA DÁ O TOM, E É A ESTRELA DE UM GRANDE CONCERTO, ONDE A PASSARELA DO SAMBA É O PALCO E A BATERIA É A ORQUESTRA.

PÉROLA NEGRA DE VOZ SINGULAR, LÁ DO ALTO DO CÉU ESTELAR, VERÁ O SEU CANTO POR TODA AVENIDA ECOAR, E ENTÃO O CARNAVAL, MAJESTOSA FESTA POPULAR, IRÁ ENFIM CONSAGRAR, O SEU ESPLENDOROSO CANTAR.

É O TRIUNFO DA AMÉRICA...

Pesquisa e texto: Bianca Behrends e Wagner Gonçalves
Carnavalesco: Wagner Gonçalves

Justificativa do enredo da Paraíso do Tuiuti para 2014

Kizomba - A Festa da Raça (Paraíso do Tuiuti - 2014)




Justificativa do Enredo

A Declaração Universal dos Direitos do Homem vale como um ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações. Que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente essa declaração, se esforce em promover o respeito a esses direitos e liberdades e pela adoção de medidas progressistas de caráter nacional e internacional, que terminem por assegurar o reconhecimento e a observância universal e que seus efeitos se façam sentir tanto entre os povos dos próprios estados-membros, quanto entre os povos do mundo inteiro.

Há muitas formas de luta. A mais arriscada é a feita com o exemplo claro, com a postura, com a palavra forte. A mais eficiente é feita indiretamente, sem rancor e conquistando através da cultura, usando-se em ocasiões oportunas para se mandar mensagens.

A passarela do samba é um importante espaço. Vamos mais uma vez aproveitar o carnaval, ocasião em que todas as atenções estão voltadas para a passarela, para, emocionando as pessoas, fazê-las meditar sobre a negritude brasileira.

"Kizomba - Festa da Raça" é um tema essencialmente negro e político. Foi um grande acontecimento em 1988. Marcante para o nosso desenvolvimento. Será igualmente importante refletirmos em 2014, mais uma vez essa Kizomba. Esse encontro de identidades, essa festa de confraternização de uma gente preocupada com o Brasil, com a cultura e a problemática dos negros.

Reviver essa Kizomba é para as recordações de quem viu, e para quem não viu, ouvir e imaginar o que foi a maior festa que já dei em minha casa - o Brasil.

Axé, axé.

Axé pra todo mundo.

Axé.

Martinho da Vila

Sinopse da Porto da Pedra para o carnaval de 2014

Majestades do Samba: os Defensores do meu Pavilhão! (Porto da Pedra - 2014)





Vós sois casal divino
No manto que carregas está o nosso coração
Na navalha escondida na manga reina a nossa proteção
Porta Bandeira, rainha tu és
Foi dos gestos finos dos bailes da nobreza
Que herdastes nos passos a leveza
E nem mesmo as marcas que a vida dura te traz
Sua majestade desfaz
O sofrimento no Morro é coroado no asfalto
Onde seus súditos se curvam a sua beleza
Com os corações tomados de assalto
Todos se rendem a sua leveza
Já tu, meu rei guerreiro
Tigre baliza feroz
Foi da Mãe África dos ancestrais
Que tirastes seus gingados magistrais
E dos Orixás que celebram a morte nos funerais reais
Veio o estandarte que um dia carregastes
E que hoje é a real bandeira nas mãos nobres de sua parceira
Procissão negra e minueto
Deram origem a este sublime e único bailar
Para que ranchos e escolas, como que em cerimônia celestial
Entregassem seus estandartes e pavilhões ao nobre casal
Oh, dupla sagrada
O sangue nobre das suas veias
Sustenta o esforço, o suor e a vigília
Para transformar um ano em dia
Nem dores e medos mais terríveis são capazes de impedir
A evolução que fazeis para o mundo aplaudir
Com tantos nomes nobres desfilastes
Tantas cores defendestes
Com sorrisos e lágrimas nos rostos empenhastes
O orgulho da arte que exercestes.  
São Gonçalo está a seus pés
Eleva-te ao altar mais alto do samba, e conclama
Meu rei e minha rainha
Sois mais do que gente bamba
Muito mais do que só história
Sois o presente e o futuro que decola
Sois a alma da minha escola
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